economia circular, resíduos agroindustriais
O aumento do consumo global de chocolate tem impulsionado a busca por alternativas sustentáveis ao cacau (Theobroma cacao), cuja produção é vulnerável a variações climáticas e pressões socioeconômicas. Nesse contexto, a amêndoa do caroço de manga (Mangifera indica L.), subproduto abundante da agroindústria, surge como fonte promissora de compostos bioativos e matéria-prima para novos ingredientes alimentícios. Este trabalho teve como objetivo avaliar o potencial da farinha obtida da amêndoa da manga como substituto parcial do cacau, considerando seus aspectos físico-químicos, funcionais e biológicos. A farinha foi submetida à extração assistida por ultrassom com metanol, obtendo rendimento de 8,4%. A análise espectrofotométrica revelou 143,91 mg EAG/g de compostos fenólicos totais e 6,37 mg EQ/g de flavonoides, indicando predominância de ácidos fenólicos e potencial antioxidante expressivo. Ensaios de viabilidade celular (ISO 10993-5:2009) demonstraram que o extrato apresenta baixa citotoxicidade em concentrações inferiores a 250 µg/mL, reforçando sua segurança biológica para aplicações alimentares. A análise FTIR evidenciou modificações estruturais após a autoclavagem, como hidrólise parcial e oxidação leve, sem comprometimento significativo da integridade química da amostra, sugerindo estabilidade térmica adequada para processos de fabricação. Os resultados demonstram que a farinha da amêndoa de manga é rica em compostos fenólicos, quimicamente estável e biocompatível em baixas concentrações, características que sustentam seu uso como ingrediente funcional e substituto sustentável do cacau. Além de agregar valor nutricional, o aproveitamento desse resíduo contribui para a redução de impactos ambientais e para o desenvolvimento de produtos inovadores, alinhando-se aos princípios da economia circular e da biotecnologia verde.