Mercado de trabalho; Ensino superior; Futuro.
O presente artigo analisa a marginalização da juventude negra em Camaçari/BA e suas perspectivas de futuro após a conclusão do ensino médio. A pesquisa, de caráter exploratório, possui abordagem mista (qualitativa e quantitativa), realizada por meio da aplicação de questionários estruturados a jovens negros de 16 a 20 anos residentes no bairro da Gleba C. Embora delimitada a esse território, a investigação possibilita reflexões mais amplas sobre a realidade da juventude negra em contextos periféricos brasileiros. A interpretação qualitativa dialoga com referenciais teóricos críticos, incluindo Gonzalez (2016, 2020), Bourdieu (1983), Fanon (1952), Kowarick (1987) e Fernandes (1965), permitindo compreender os impactos históricos e contemporâneos da exclusão racial e social. Os resultados evidenciam que desigualdades estruturais limitam significativamente a inserção no mercado de trabalho e o acesso ao ensino superior da juventude negra. As conclusões apontam para a necessidade urgente de políticas públicas que promovam inclusão, permanência e valorização da juventude negra, assegurando-lhes condições dignas de formação e inserção profissional. Ademais, a elaboração do Projeto de Lei “Os pivetes como futuro do trabalho” surge como proposta de ampliação de oportunidades para a juventude negra através de programas de qualificação profissional e preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Ao articular dados empíricos e análise crítica, o estudo contribui para reflexões sobre “desfuturo” do trabalho – limite imposto ao acesso ao mercado de trabalho a juventude negra, revelando como suas trajetórias são moldadas e suas possibilidades de sonhar, planejar e concretizar um projeto de carreira são limitadas.