Saúde, líquens, tecnologia
A poluição do ar tem aumentado devido ao tráfego intenso, à industrialização e às queimadas, gerando impactos significativos tanto no meio ambiente quanto na saúde da população. No Rio de Janeiro, há carência de ferramentas acessíveis para monitorar a qualidade atmosférica, o que limita a conscientização da sociedade. Nesse contexto, esta pesquisa propõe a utilização de líquens como bioindicadores naturais da poluição. Esses organismos resultam da simbiose entre fungos e microalgas ou cianobactérias e possuem a capacidade de absorver substâncias tóxicas do ar. A presença, ausência ou diversidade dos líquens em troncos de árvores permite avaliar, de forma visual e eficiente, a qualidade do ar em determinadas regiões. O estudo foi realizado em bairros do Rio de Janeiro, como Benfica, São Cristóvão, Cotia e Xerém, seguindo metodologia simples, utilizando cadernos de campo, lupas e fitas métricas para registrar os dados. Os resultados indicaram maior diversidade de líquens em Cotia e Xerém, sugerindo melhor qualidade atmosférica, enquanto em Benfica e São Cristóvão a baixa ocorrência apontou altos níveis de poluição. Para ampliar o impacto social, foi desenvolvido um site com inteligência artificial capaz de identificar líquens em fotografias e indicar o nível de qualidade do ar de maneira autônoma. Além disso, elaborou-se uma animação interativa na plataforma Scratch, com linguagem acessível para diferentes públicos. Conclui-se que os líquens, aliados a recursos digitais, configuram-se como instrumentos eficazes de monitoramento ambiental e educação, contribuindo para conscientizar a população sobre os riscos da poluição atmosférica e a necessidade de preservar a qualidade do ar.