queimadas, adubação orgânica, recuperação do solo.
As queimadas constituem um dos principais agentes de degradação ambiental no Brasil, provocando perdas severas de nutrientes, alterações físico-químicas e biológicas no solo, além de comprometer sua capacidade produtiva e ecológica. Em 2024, incêndios atingiram mais de 30 milhões de hectares no país, incluindo áreas do Colégio Militar de Belo Horizonte (MG), onde se desenvolveu este estudo. O objetivo geral da pesquisa foi avaliar a eficácia de adubação orgânica de baixo custo na recuperação acelerada do solo pós-queimada, comparando diferentes combinações de insumos e espécies vegetais. Para isto, foram preparados oito canteiros experimentais, submetidos a tratamentos com NPK caseiro, chorume ou combinação de ambos, associados ao plantio de feijão (leguminosa), moringa (hortaliça arbórea) e mandioca (raiz), além de cobertura de capim seco; um canteiro controle permaneceu sem intervenção. Amostras foram coletadas antes e após 15 dias, analisando pH, macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg) e matéria orgânica, com comparação entre tratamentos e controle. A mandioca e o NPK caseiro apresentaram os melhores desempenhos na elevação da fertilidade e do teor de matéria orgânica, enquanto o chorume isolado mostrou efeito limitado no período avaliado. O feijão e a moringa tiveram resultados iniciais mais discretos, possivelmente pela absorção de nutrientes para seu estabelecimento. Observou-se ainda redução da alcalinidade do solo, aproximando o pH da faixa ideal (5,5–6,5) em tratamentos específicos. Dentre os principais resultados, tem-se que a combinação de adubação orgânica com espécies vegetais adequadas configura estratégia eficiente para recuperação de solos pós-queimada, potencializando a ciclagem de nutrientes, o incremento da matéria orgânica e a restauração da funcionalidade ecológica, representando alternativa sustentável e de baixo custo para contextos semelhantes.