Terapia antimicrobiana, Nanocarreador
Escherichia coli, bactéria Gram-negativa e patogênica, apresenta importantes fatores de virulência associados ao câncer colorretal (CCR), como por exemplo, a produção de genotoxinas, em especial a colibactina, uma toxina instável e capaz de induzir danos citogenéticos. Globalmente, o CCR é a neoplasia mais frequente do trato gastrointestinal, responsável por mais de 1,85 milhão de casos e 850 mil mortes por ano, e a infecção microbiana é reconhecida como fator de risco em cerca de 20% dos tumores em humanos. Nesse contexto, o ácido úsnico (AU), um metabólito natural extraído de líquenes e amplamente utilizado na medicina tradicional, surge como alternativa terapêutica promissora, embora seu uso seja limitado pela baixa solubilidade em água e pela hepatotoxicidade. Para superar essas limitações, este estudo propôs a nanoencapsulação do AU em nanopartículas de zeína revestidas com quitosana (AU-ZNP-CH) e avaliou sua atividade antibacteriana e antibiofilme frente a cepas de E. coli carcinogênicas. As AU-ZNP-CH apresentaram tamanho médio de 332 ± 0,7 nm, PDI 0,23 e potencial zeta de +51,1 ± 1,0 mV. Os testes antimicrobianos da concentração inibitória mínima (CIM) e bactericida mínima (CBM) demonstraram CIM de 7,81–15,62 μg/mL e CBM de 15,62–31,25 μg/mL. Das quatro cepas de E. coli testadas, três apresentaram perfil moderado para a produção de biofilme, enquanto que apenas uma apresentou perfil forte. Para os testes de inibição (CIMB) e erradicação (CEMB), as AU-ZNP-CH apresentaram CIMB de 7,81–250 μg/mL e CEMB de 7,81 μg/mL. Assim, os resultados evidenciam que as AU-ZNP-CH possuem caracterização estável e expressiva atividade antibacteriana e antibiofilme, configurando uma estratégia inovadora, sustentável e eficaz contra cepas de E. coli associadas à indução do CCR.