Cimento sustentável, Biomassas.
A indústria cimenteira desempenha papel fundamental no desenvolvimento global, porém apresenta impactos ambientais significativos, como elevadas emissões de CO₂ e consumo excessivo de recursos naturais. A busca por soluções sustentáveis impulsiona pesquisas voltadas à redução do teor de clínquer no cimento. Este estudo teve como objetivo desenvolver um composto de biomassas para produção de cimento, promovendo sustentabilidade e ganhos econômicos. Utilizaram-se bagaço de cana-de-açúcar, fibras de bambu, casca de mandioca e casca do arroz, cujas composições químicas assemelham-se à do clínquer. As biomassas foram caracterizadas por EDX e FT-IR, revelando composição química, estrutura e propriedades compatíveis, e por análises físicas de consistência e granulometria. O arroz carbonizado apresentou 76,8% de silício; o bambu, 48,5% de cálcio; e a mandioca, 46,7% de potássio. A formulação mais promissora foi composta por 48% de clínquer, 50% de Climplent e 2% de gesso, priorizando bambu e arroz carbonizado. Ensaios físicos, conforme a NBR NM 43, com amostra de 500 g e peneira de 0,075 mm, indicaram consistência adequada (6±1 mm). Observou-se necessidade de nova análise EDX considerando Climplent e clínquer em conjunto. Os resultados sugerem que a mistura se enquadraria no cimento CP IV, demandando confirmações adicionais. Futuramente, serão realizados ensaios físico-mecânicos para determinar a resistência à compressão do cimento Portland e testes com adição de sílica ativa, avaliando a redução no teor de água. Tais ações poderão ampliar a descarbonização no setor cimenteiro.