Tecnologia, gênero, antirracismo e educação
O Wikidata é uma base de dados colaborativa e aberta que permite a produção e a disseminação do conhecimento de forma coletiva. Este trabalho utiliza essa plataforma para inserir informações sobre mulheres pretas historicamente invisibilizadas, contribuindo para reduzir as lacunas raciais e de gênero ainda presentes nos projetos Wikimedia. Essas ausências refletem o racismo estrutural que, conforme Silvio Almeida (2019), organiza a sociedade e suas instituições, e o patriarcado, denunciado por Djamila Ribeiro (2018), que perpetua a exclusão feminina nos espaços de poder e saber. No campo educacional, ambas as estruturas se reproduzem por meio de currículos que privilegiam a cultura branca e a figura masculina, demandando revisão urgente. Nesse contexto, o Wikidata foi escolhido como ferramenta de enfrentamento ao racismo estrutural e à desigualdade de gênero nos ambientes digitais, dada a escassez de registros biográficos sobre mulheres negras — muitas delas escravizadas durante o Império brasileiro, o que dificultou sua presença na Wikipédia. A metodologia baseou-se em pesquisa bibliográfica, oficinas de formação e edição no Wikidata e aplicação de questionários em ambiente escolar. Foram incluídas biografias de mulheres negras apresentadas na Enciclopédia Negra, como Esperança Garcia, escritora do século XVIII que expressou em carta o desejo de liberdade; Francisca, africana haussá conhecida como “rainha”, que liderou um levante em Salvador (BA) em 1814; e Margarida Joaquina de Sousa, participante da Inconfidência Baiana no século XVIII. O projeto reafirma a importância de integrar práticas digitais colaborativas à educação como meio de promover justiça cognitiva e visibilidade histórica às mulheres negras no Brasil.